Não há uma idade para o amor

Caro Estranho,

Sou gay e estou agora com 52 anos, apesar de não parecer. Porém, há um tempo, sinto uma grande dificuldade de me relacionar com as pessoas, pois não me encaixo no padrão esperado. Gostaria de encontrar um amor. Mas, para ser bem honesto, tenho me tornado cada vez mais triste e abatido. Às vezes, inclusive, sou tomado por ideias muito ruins. Por favor, se possível, me ajude.

Obrigado,

Henrique

Caro Henrique,

É muito tentador, após ler a carta que você me escreveu, afirmar que o “padrão esperado” pela comunidade gay, por assim dizer, é rigoroso ou até inalcançável. Digo, inclusive, que a maioria dos homens homossexuais que conheço não se encaixa nele. Mas, independente da orientação sexual, todo mundo está submetido a padrões, não? O que dizer de uma mulher hétero, de 52 anos, que procura um parceiro? Ela também é pressionada por uma série de demandas. Logo, meu caro, a resposta do problema que você me traz não se encontra aí. Vamos adiante.

Na minha opinião, o relato que você escreveu acende um debate sobre o envelhecimento e o consequente etarismo. Enfim, outra forma de preconceito, mas direcionada à idade que você tem. Você nota como achou relevante apontar que tem 52 anos, “apesar de não parecer”? Foi então que quis saber. Qual seria o problema se parecesse? Assim, peço que reveja com carinho esta questão, pois nenhum de nós vai se tornar mais novo. A tendência é nos afastarmos mais desse “padrão esperado”. Dito isso, questiono.  O que você procura? Você namoraria consigo mesmo? E, caso a resposta seja negativa, tente mudar tudo aquilo que não lhe agrada.

Esta minha carta não faz uma única distinção sequer entre homens, mulheres ou orientação sexual, pois todos vamos envelhecer. Só tenha em mente, meu caro, que é possível amar e ser amado em qualquer idade. Antes, contudo, é preciso se considerar digno do próprio amor. Reconhecer-se como um ser imperfeito, estar aberto à imperfeição do outro e ter uma forte autoestima. Dá trabalho, mas afaste as “ideias muito ruins” e não desista de si mesmo.

Um grande abraço,

Estranho